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A amante da rainha – capítulo 5

  Os dias ao lado de Katharine tem sido um tanto quanto divertidos. Nós nos demos muito bem e sinceramente não sei como suportei tanto tempo nesta corte sem ela. Temos ideias parecidas, mas ao mesmo tempo somos completamente diferentes, é difícil de explicar. Não há tédio ao lado dessa mulher! Dárius está adorando me ver mais calma e divertida, só que mal sabe ele que estar com Katharine tem me feito enxergar melhor algumas coisas quanto ao reino e quanto aos meus deveres como rainha. Certamente Dárius não imaginava que esse tiro dele iria sair pela culatra, pois ao me impor uma dama de companhia, ele queria me distrair de tudo o que eu ando me metendo, mas Katharine me faz ver o quanto ser uma plebeia no trono real me faz ainda mais responsável por lutar pelos direitos dos menos afortunados. Não que eu já não tivesse isso em mente, mas pela primeira vez alguém pertencente ao núcleo dos nobres tinha coragem de me falar sobre as coisas sem medo de ser julgado por mim. Suas ideias e colocações colocaram em mim um olhar diferente e por esse motivo, mais do que nunca eu irei usar minha posição a favor de tudo o que eu acredito e desejo. Só tem um conselho de Katharine que eu não consigo seguir: usar a cama para conseguir o que eu quero de Dárius. Não consigo ser assim e por esse motivo, ela me taxa de burra que eu sei. Dentro da sua visão de reinado ela tem total razão, mas eu e Dárius temos uma história de amor por trás de todos os nossos títulos, joias e coroas. Como pra Katharine o amor é uma tremenda bobagem, ela jamais vai conseguir me entender.

    Caminhando a tarde pelo jardim do castelo eu me peguei distraída admirando as flores. Comecei a colher algumas formando um mini buquê que nada era parecido com o que eu tive em meu casamento, mas certamente era muito mais a minha cara. Assim que parei para sentir o perfume delas sou interrompida:

— Fingindo ser uma princesa?

Olho pra trás e os olhos verdes de Katharine me fitavam carregados de ironia.

— Juro por Deus que ainda vou mandar cortar sua cabeça por conta desse seu deboche sem fim!

Ela puxa uma das flores da árvore em que eu estou próxima e me responde sem me direcionar os olhos.

— Atrevo-me a dizer que seus dias sem mim aqui nesse castelo ficariam um tanto quanto tediosos! Acho que é uma rainha muito esperta para cometer tamanha tolice!

Em seguida ela me olha de lado com aquele sorriso coberto de uma malícia que eu não sei decifrar ao certo. O pior de tudo é que essa debochada está certa.

— Vamos esquecer as tolices e ir para cozinha comer uma fatia de torta?

— Mas porque na cozinha, se podemos ficar no seu quarto experimentando os vestidos novos que chegaram da costureira real?

Arregalo meus olhos em surpresa e pergunto:

— Jura mesmo que os meus modelos exclusivos já chegaram?

— Menos! Tá parecendo uma princesinha deslumbrada! Eles chegaram sim, mas Vossa Majestade vai experimentar eles com toda a classe e maturidade que lhe ensinei no outro dia!

— A classe de beber vinho e a maturidade de espremer os seios em meus corpetes ao mesmo tempo?

Ela me puxa pela mão e diz:

— Exatamente!

Céus! Eu ainda enlouqueço com essa mulher!

    Chegamos em meu quarto e me deparei com uma quantidade imensa de vestidos! A algumas semanas atrás, ao reparar nas minhas roupas Katharine me disse que achava os meus vestidos sempre muito iguais. Sem falar que não expressavam a minha personalidade, ao contrário dos dias em que eu apareço nos bailes e em eventos importantes, nesses dias eu estou sempre diferente da maioria. Apesar de não ligar muito para tal detalhe, Katharine me disse que a forma com que o povo me vê em meu dia a dia diz muito sobre mim e que também de alguma forma as roupas interferem muito em nosso bem estar. Como esses espartilhos me fazem começar meus dias odiando cada centímetro deles, resolvi chamar a costureira que cedeu aos meus desejos de priorizar o conforto e ao mesmo tempo valorizar-me como mulher e rainha. Claro que isso me rendeu horas de discussão e muita interferência de Katharine, pois as costureiras da realeza tem carta branca para escolher e produzir as roupas de todas as mulheres que é responsável, mas isso não me impediu de mostrar a ela que com essa rainha aqui, as coisas serão diferentes a partir de agora. Ao ver uma quantidade de vestidos que daria para abastecer uma loja, olhei para Katharine que me disse:

— Acho melhor mandarmos descer a adega do rei para os seus aposentos! Uma garrafa não vai dar nem pra começar!

Somos interrompidas por Bianca que entra no quarto e diz:

— Boa tarde minha rainha! Boa tarde Katharine! Vim a pedido da costureira real lhe ajudar com seus novos vestidos, Majestade. Como ela tinha alguns compromissos, me pediu que anotasse tudo o que houvesse para reparar em suas novas roupas. E ah… trouxe o vinho que a senhora Katharine mandou descer da adega.

Agradeci e logo ela começou a me ajudar a tirar as roupas que ainda estavam no meu corpo. Katharine serve nossas taças e como sempre ela acaba com a sua logo no primeiro instante. Eu dou um gole e fico me perguntando como ela consegue lidar com o álcool tão bem. Como ritual diário, Bianca ia soltando os nós do meu espartilho com bastante rapidez, mas reparei que Katharine nos encara com um certo desaprovamento. Assim que pego o primeiro vestido, vejo que o tecido era muito mais macio do que o de costume. De cor azul escuro e detalhes em renda francesa branca, ele era bonito, elegante e pela glória do Senhor não precisava de nenhum espartilho doloroso para marcar minha silhueta, pois já havia o corte e costuras corretas para isso. Como Bianca ainda não estava familiarizada com esses novos modelos, ela não conseguia passar ele direito nos meus braços e acabou me machucando ao tentar usar a força para conseguir tal objetivo.

— Ai! Cuidado Bianca!

— Desculpe, Majestade! Não sei como vou conseguir passar isso. Não tem botões!

Katharine se levanta e toma a frente.

— Bianca, deixa comigo! Eu já sei como essas peças modernas funcionam. Se tiver algum ajuste a ser feito, eu mesma anoto e entrego a costureira.

Katharine se põe em minha frente aguardando ela sair e claramente Bianca não estava feliz com aquilo, mas não tinha muito o que fazer a não ser obedecer. Ela se retira e assim que bate a porta, Katharine estica o tecido com cuidado e me orienta a passar os braços de forma rápida.

— Isso, desse jeito! Agora se vire pra mim enquanto eu ajusto as costas.

Ela ajeita o tecido fazendo com que o vestido me abrace. Era muito confortável! Assim que me coloquei de frente ao espelho, admirei minha silhueta bonita e meus seios moldando um decote discreto, porém muito atraente. A saia do vestido se soltava conforme o desenho do meu quadril ia se alargando e por fim se formava uma saia longa e elegante. Estar a altura da realeza sem sentir dores e incômodos parecia ser como morar no paraíso! No mesmo instante que eu me observava, meus olhos se encontraram com os de Katharine no espelho e foi inevitável perceber seu olhar de admiração. Ao mesmo tempo que eu gostei de me sentir admirada, aquele olhar dela era diferente. Me lembrou do momento em que eu e Dárius tivemos nosso último momento romântico. Eu só posso estar ficando louca! Sacudo a cabeça na tentativa infantil de afastar meus pensamentos e foco minha atenção novamente no vestido. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Katharine exclama:

— Ficou PERFEITO! Está lindíssima, minha rainha!

Fico um pouco sem jeito e ao mesmo tempo feliz em ouvir ela palavrar o que pensava. Eu respondo:

— Obrigada Katharine! Ele é bem confortável e sem nenhuma dúvida cumpre o papel de me deixar elegante. Vamos ao próximo?

Ela sacode a cabeça positivamente e me dá um sorriso. Antes disso, ela enche sua taça novamente, me fazendo lembrar da minha esquecida sobre a minha mesa de maquiagem. Damos um gole nas taças procurando desviar o olhar, mas isso se torna inevitável quando ela se aproxima para me ajudar a tirar o vestido. Noto um certo receio dela no momento de puxar o tecido na altura dos meus seios. Isso está cada vez mais confuso e estranho, mas por algum motivo tal situação não me desagrada. Ela puxa com cuidado e consegue me despir finalmente. Dessa vez nossos olhos se encontram frente a frente e aquela sensação do espelho se repete. Céus, que raios está acontecendo aqui?

— Vamos tentar o verde agora? — Ela quebra o gelo.

— Sim, parece bom.

Ela tira o vestido do cabide e comenta:

— Este é bom para passeios com o Argus.

Sem grandes complicações ela passa o vestido pela minha cabeça e mais uma vez sinto o tecido abraçar meu corpo. Ponto para senhorita Marie! Este modelo era fechado na parte de cima e para dar um toque feminino e elegante tinha um laço de fita na altura do pescoço. Katharine se aproxima com cuidado para fazer o laço e dessa forma nossos rostos ficaram mais próximos. O cheiro do vinho tinto do seu hálito se torna presente quando ela respira fundo estando tão próxima do meu rosto, e isso de alguma maneira era muito bom. Percebo o quanto o rosto dela era bonito, não que isso já não fosse percebido antes, mas estando tão perto assim era diferente de olhar. Ela termina de arrumar o laço e em seguida dá um passo pra trás dizendo:

— Prontinho, o que achou deste?

Nós nos viramos pro espelho e mais uma vez eu adorei o que vi.

— Está ótimo também. Próximo?

Ela veio tirar o laço recém amarrado e novamente algo puxava meu olhar em direção ao seu rosto. Noto que ela retribui o olhar e essa minha confusão se transforma em atração. O que raios está acontecendo comigo? Ela desvia o olhar e se abaixa para puxar o vestido, mas dessa vez noto que seu cuidado para não encostar em meu corpo se dissipa. Ao sentir sua pele em contato com a minha, mesmo que rapidamente, corre um arrepio diferente em meu corpo. Eu não consigo palavrar ao que ele se assemelha. Na verdade, eu não quero parar pra pensar nisso agora. Interrompendo meus pensamentos, sinto que com o atrito das mãos de Katharine, uma das alças da minha roupa debaixo cai e assim que vou colocá-la no lugar nossas mãos se encontram. Olho pra ela sem graça e digo:

— Obrigada. Seu cuidado comigo faz com que eu me sinta bem.

Ela sorri em resposta e coloca uma mecha de cabelo minha atrás da minha orelha e completa:

— É sempre um prazer servi-la, Majestade.

Meu sorriso embaraçoso toma conta do meu rosto sem minha permissão. Mesmo com tudo tão bem esclarecido nesse momento da minha vida, Katharine desperta algo em mim absolutamente desconhecido. Algo que eu quero muito tentar entender e conhecer melhor… Nesse momento somos interrompidas por Dárius abrindo a porta do meu quarto. Geralmente isso não me assusta, mas como eu estava apenas com as roupas debaixo, eu cubro meu corpo com um dos vestidos que estava sobre a cama.

— Boa tarde! Interrompo algo importante?

Katharine olha para Dárius sem nenhuma preocupação em seu rosto, enquanto eu estava enrolada em meus pensamentos confusos e coberta de uma culpa que não condizia com nada.

— Depende do que Vossa Majestade julga importante. A rainha está experimentando seus novos vestidos e eu estou lhe ajudando com isso.

— Ah sim. Vim aqui chamá-las para se juntar a mim e aos meus convidados. O Visconde e a Viscondessa de Otenia estavam de passagem pela região e então resolvi convidá-los para jantar.

Rapidamente me pronuncio.

— Será um prazer! Aproveito para estrear um dos meus novos vestidos. Já já eu comunico a senhora Thompson que teremos convidados.

— Não se preocupe, eu já cumpri tal missão. Até mais então.

Isso sem dúvida soou estranho! O que será que Dárius está aprontando dessa vez?

A amante da rainha – capítulo 4

    Amanhece o dia e antes que alguém pudesse se questionar onde eu estava, peguei Argus no celeiro e cavalguei até a casa de meu pai para visitá-lo. Sempre morei na região de Constanta antes de virar rainha. Acordar e poder brincar com os pés descalços com meus amigos à beira do rio sempre foi algo que me recordo com doçura. Parece que ainda sinto o cheirinho do bolo que minha mãe fazia pela manhã. Toda vez que venho aqui essas lembranças invadem os meus pensamentos, é impossível de controlar. Avisto a pequena moradia pintada de branco, com seu telhado vermelho, rodeada por uma cerquinha feita de madeira por mim e pelo meu pai quando eu era mais jovem. Por mais que hoje em dia eu more em um palácio, pra mim aqui sempre será o melhor lugar para se morar. Eu largaria facilmente todo aquele luxo para voltar a ser uma simples vendedora de alimentos na feira da cidade, tendo a certeza da minha paz e da companhia amável dos meus pais. Deixo Argus amarrado na árvore mais próxima, chego na porta da casa e chamo:

— Pai! — Aguardo alguns instantes e resolvo insistir — Papai!

Escuto o barulho das chaves enquanto ele finalmente abre a porta. Assim que ele coloca seus olhos em mim, ele sorri feliz.

— Minha querida Amália!

Eu me emociono e o abraço com afobação.

— Meu pai, que saudades eu estava do senhor!

Sou levada para dentro de casa e como sempre meu pai me abarrota de carinho e das guloseimas que eu amo, todas feitas por ele. Sempre me sinto satisfeita em conseguir arrancar boas risadas e palavras engraçadas dele. Depois da morte de minha mãe, é nítido ver uma parte do meu pai se foi com ela, mas muitas vezes algumas coisas retornam quando eu estou com ele.

Depois de um tempo, eu e ele resolvemos nos sentar nas escadas da varanda, cada um com uma caneca de alumínio nas mãos cheias de leite quente. Me sinto saudosa quando ele recorda comigo:

— Adorava ver você correndo pelas manhãs nesse quintal. Eu nunca tinha visto uma criança que gostasse tanto da natureza como você. Eu me sentava aqui ao lado de sua mãe enquanto assistíamos você brincar de fazer comidinha picando as folhas em uma panela velha e também colhendo as frutas. Tínhamos que fingir que comíamos o que você fez e que sua refeição estava boa. Mas a sua mãe sempre comentava que você poderia colocar mais temperos e isso te deixava enfezada!

Nós dois começamos a rir.

— Pai, eu sinto tanta falta do senhor! Eu sei que o senhor ama morar aqui, mas não poderia mesmo ir morar comigo? Nem que fosse nas imediações do castelo. Estou certa que Dárius também ficaria feliz.

Ele sacode a cabeça em negação.

— Minha amada filha, você sabe muito bem que eu seria incapaz de viver longe das memórias que eu tenho da sua mãe. Vivemos muito tempo acampando de vale em vale por conta da nossa na vida cigana, mas depois que ela engravidou de você, escolhemos essa casa com muito amor e fomos muito felizes nela. Eu amo você mais do que eu consigo palavrar minha filha, mas não me separe do meu cantinho. Saiba que eu estarei sempre aqui para te receber com seus bolos favoritos, cenouras para o Argus e muitas saudades do seu abraço.

Jogo minha cabeça em seu colo sentindo o carinho dele em meus cabelos enquanto ele me questiona:

— Como está a vida com seu marido, minha filha?

Inevitavelmente as lágrimas correm meu rosto, mas procuro disfarçar para não preocupá-lo.

— A medida do possível estamos bem. Só que tudo é muito diferente do que eu esperava, não sei se algum dia eu conseguirei me sentir parte daquele mundo. Ao fim de todos os meus dias eu sinto saudades de casa, como uma criança.

Sabiamente, meu pai volta a reforçar comigo os conselhos que sempre me deu, sem nunca deixar de mencionar as possíveis frases que minha mãe diria se estivesse aqui conosco. Isso renova as minhas forças e as minhas energias, me fazendo enfim sentir-me preparada para retornar ao palácio.

    Monto novamente no Argus que sente a carícia que meu pai faz nele antes de partirmos. Por mais que ele fosse meu, sempre foi cuidado pelo meu pai, por tanto toda vez que estamos aqui Argus se engraça todo quando estão juntos.

— Adeus, minha filha! Já estou ansioso para o seu retorno.

— Adeus papai! Espero que saia mais para se divertir e por favor, quando puder venha me ver também. O palácio não é o mesmo pra mim quando não renovo memórias suas comigo nele.

Ele assente com a cabeça e logo eu tomo o caminho para voltar..

    Deixo Argus no celeiro e como de costume vou caminhando pelo jardim em direção às portas principais do palácio. Herbes está à minha espera e sempre que isso acontece, eu sei que se trata de alguma artimanha de Dárius. Diferente do de sempre, em vez de esperar as “boas notícias” eu me antecipo dizendo:

— Bom dia Herbes! Por qual motivo eu terei que gritar hoje? Passe logo o recado de Dárius.

Ele se inclina e diz:

— Majestade, também é prazer vê-la essa manhã! Não estou aqui a mando do rei, desta vez venho em nome do conselho real do palácio.

Tá aí, me surpreendeu! Seja lá o que foi que eu fiz, a coisa foi grande! Para o conselho se reunir para me enquadrar logo pela manhã, eu devo no mínimo ter me secado na bandeira da Romênia!

— Bem, pode me contar o que houve enquanto me acompanha até meus aposentos?

Ele concorda e então seguimos para subir as escadas.

— Bem, o conselho achou que a nossa rainha anda muito sozinha. Está em suas cavalgadas e visitas às regiões do reino sempre desacompanhada. E com exceção dos seus momentos com o rei, também fica sozinha aqui pelo palácio.

— E desde quando eu estar ou não sozinha é do interesse do conselho real?

— Preocupados com o bem estar de Vossa Majestade e com o bem de todo reino, o conselho lhe designou uma dama de companhia indicada pela própria tia do rei, a princesa Aurora. Ela já está a caminho e chegará a qualquer momento aqui no castelo.

Eu suspiro fundo, paro de andar e me viro pra ele dizendo:

— O conselho sabe perfeitamente que eu abri mão de ter damas de companhia logo que me estabeleci aqui no castelo. Também sei que deixei bastante claro que não gostaria que me impusessem nada sem falar diretamente comigo pelo menos.

— Não estava no palácio pela manhã, por isso não puderam falar diretamente com a senhora, minha rainha.

Abro a porta do meu quarto e me dou por vencida.

— Tá bom Herbes, quando ela estiver chegando me avise. Afinal, ela não tem culpa de ter sido chamada e agora que está a caminho não serei rude em dispensá-la.

— Pois bem, eu a aviso quando ela chegar, Majestade.

    Estou estranhando a ausência de Dárius no castelo hoje, não o vi em nenhum momento e também ele não estava na mesa na hora do almoço. Por diversos dias como o de hoje eu me sentiria sortuda em fazer uma refeição sem ter que encarar o seu ar de superioridade e o seu cinismo, mas quando finalmente acontece eu estranho e fico aqui imaginando coisas em minha cabeça. Talvez agora a ideia de uma dama de companhia me faça algum sentido, mas eu nunca gostei muito de ter alguém perto de mim que ao invés de escolher me ver ou não, tem como função ficar ao meu lado, é estranho demais! Sem falar que a possibilidade dessa mulher estar aqui com a real função de contar os meu passos para Dárius, é algo muito provável! A mando dele eu tenho certeza que foi, mas fico na dúvida do real motivo e intenção disso. Quando eu acabo de comer, Herbes anuncia:

— Vossa Majestade, a senhorita Katharine, sua nova dama de companhia, acaba de chegar ao palácio.

Me levanto e digo:

— Ah sim, leve-me até ela.

Herbes me conduziu até a minha sala de visitas onde ela estava ao meu aguardo. Peço para que Herbes nos deixe a sós e entro na sala sem fazer barulho. Antes de dizer alguma coisa eu resolvo observá-la um pouco sem que ela perceba a minha presença. Queria ver em detalhes a aparência e o comportamento de alguém que iria ficar tão próxima a mim. Já num primeiro momento eu gostei do fato dela estar observando a minha estante de livros, pelo visto me mandaram alguém que se interessa por algo que não sejam só homens e fofocas! Já ganhou pontos comigo. Uma coisa que chamou minha atenção imediata, foi a forma em que ela estava vestida, nada próximo ou parecido com as mulheres que eu vejo por aqui. Ela usava um vestido em tom que me lembrava um ouro envelhecido. Seu decote era bonito, mas não provocativo. Não era um vestido apertado, mas marcava com perfeição a sua bonita silhueta. Tinham mangas longas, mas no fim delas haviam detalhes em renda num tom de azul bem escuro, quase preto, que fazia um contraste lindo com o restante da roupa. O mesmo tom de azul se mostrava na parte da frente do vestido com alguns botões na horizontal ornamentando, me lembrava algumas peças masculinas, mas nem de longe aquilo era feio. Eu simplesmente amei de tão irreverente! Para completar ela usava um chapéu nesse mesmo tom de azul, suas laterais eram dobradas e presas com um botão cor de cobre em cada lado e no pescoço carregava um tecido que parecia feito do mesmo material das mangas do vestido. Seus cabelos longos e ondulados eram de um tom de loiro tão claro que parecia até reluzir a claridade do sol. Não sei muito o que sinto em relação a ela, o que posso dizer é que quero muito saber mais dessa mulher tão diferente.

— Boa tarde!

Ela finalmente se vira e assim que me vê, se curva em reverência e diz:

— Majestade, perdoe minha distração. Me encantei com a variedade de livros! — Ela se aproxima e estica a sua mão — Me chamo Katharine.

Aperto sua mão me sentindo hipnotizada. A beleza do seu rosto era de chocar! Se rainha não fosse um posto vitalício, teria até preocupações em ser substituída. O fato é que ela nem de longe passará despercebida por Dárius, na verdade por ninguém desta corte.

— Muito prazer, Katharine. Bem, sente-se, vamos nos conhecer um pouco.

Sentamos nos sofás e então pergunto:

— Aceita algo para beber? Um chá, um café…

— Vinho! — Ela diz me cortando.

Apesar do fato de ser interrompida quando estou falando ser bastante incomum e a escolha da bebida alcoólica ser tão incomum quanto, eu adorei a ideia!

— Você é sempre tão… espontânea assim?

Ela me dá um sorriso que casa perfeitamente com a irreverência que mostra em suas vestimentas.

— Geralmente sim, mas na presença de uma rainha é uma novidade.

Sorrio com sua frase. Toco o sino que estava na mesa próxima a nós e em instantes o mordomo aparece. Logo eu peço:

— Traga duas taças de vinho, por favor.

— Vou providenciar, Majestade.

Assim que ele sai, eu digo:

— Bem, me conte mais sobre você, quero muito saber quem é a mulher por trás das roupas mais fascinantes que eu já vi na corte romena.

— Vossa Majestade deseja saber quem lhe enviaram para lhe ser dama de companhia, ou de fato quer saber quem está por trás dessas roupas?

Respondo sem pensar duas vezes:

— Sem nenhuma dúvida, a segunda opção!

O mordomo entra trazendo as nossas taças de vinhos e logo se retira. Ela pega a sua taça e a vira de uma vez só, antes que eu pudesse pegar a minha.

— Bem, como a rainha pode ver, eu sou uma mulher que adora bons vinhos e bons livros. Amo ficar sozinha! Detesto eventos da alta sociedade rodeado de pessoas chatas e puxa sacos da corte. Sempre fui uma menina respondona e impertinente, o que levou meus pais à loucura. Ainda sou solteira de tanto eu afastar os noivos que me arrumaram, por fim meus pais desistiram e me deixaram em paz.

Ela pega um dos biscoitos que está a disposição, o come e continua.

— Virar sua dama de companhia foi algo extremamente fascinante pra mim, pois Vossa Majestade é a única mulher em toda a corte que apesar da sua bondade e educação, faz o que quer e que fala o que pensa! Nunca imaginei que estaria na presença da rainha algum dia. Apesar da minha mãe frequentar os bailes aqui no palácio, já tem bastante tempo que ela desistiu de me convencer a vir a esses tipos de evento. Estou feliz em conhecê-la!

Me peguei perguntando como a corte pode ter escolhido alguém assim para estar ao meu lado e me fazer companhia. As minhas ideias somadas ao atrevimento de Katharine, facilmente eliminariam um exército!

— Estou fascinada com suas palavras, mas… Me tire uma dúvida que está sufocando os meus pensamentos: Qual foi o motivo de ter sido escolhida pela tia do rei para estar aqui?

Ela coloca as suas mãos sobre os seus joelhos, modifica completamente o seu olhar, ela parecia quase angelical! Em seguida diz:

— Bem, acredito que seja pelo fato de eu ser filha do Conde de Bucareste. E também porque sou uma mulher que se dedicou muito aos estudos, aprendizado das regras de etiqueta e educação. Sei bordar, entendo sobre jardinagem e adoro vestidos! Nunca me casei pelo fato de sempre ansiar a oportunidade de ser uma de suas damas de companhia. Espero que possa desempenhar o meu papel na vida de Vossa Majestade de forma que lhe alegre e lhe agrade.

Ela foi impecável! Mas visto os seus primeiros instantes comigo, ficou muito claro que aquilo tudo se tratava de uma atuação, por tanto, eu ri imediatamente! Ela se permite rir também e volta ao seu estado normal dizendo:

— Bem, esse seria o meu discurso caso a rainha tivesse escolhido a primeira opção!

— Como consegue alternar tão bem entre esses dois lados seus?

Ela se levanta e diz:

— Habilidades que adquiri para ser feliz e não ser expulsa da família ao mesmo tempo!

Só Deus sabe como eu amei ouvir isso!

— Fascinante!

Viro meu vinho como ela vez, toco meu sino e assim que o mordomo aparece eu digo:

— Por favor, queremos mais vinho. Mas dessa vez, traga uma garrafa!

A amante da rainha – capítulo 3

    Entramos no salão de baile do castelo que estava lindamente decorado. Ele estava repleto de azaleias, flores de cerejeira e prímulas, que são as minhas favoritas desta estação. Candelabros altos compunham as mesas dos nossos convidados forradas por toalhas de mesa branca e cobre manchas azul claro. A bela prataria do palácio deixava as mesas ainda mais exuberantes. Diversos garçons serviam bebidas e canapés entre os convidados vestidos elegantemente. Tudo perfeito para que o baile seja um sucesso! Os músicos iniciam a valsa assim que Herbes anuncia a nossa entrada que é aclamada pelos convidados. Inúmeros aplausos e reverências impulsionavam o início da dança real tão aguardada por todos. Eu e Dárius paramos no centro do salão, fizemos o cumprimento e iniciamos a valsa. Todo aquele clima refinado e todas as pessoas nos olhando deveriam ser grandes motivadores de um teatro entre nós, mas o fato é que em situações assim nós somos peças de um mesmo tabuleiro, o da realeza. E por mais raiva e ressentimento que eu tenha dos erros de Dárius, ele é um completo cavalheiro quando quer. Ele me conduz pelo salão ignorando completamente a todos que estão à nossa volta. Seu olhar fixado em meu rosto me faz sentir seu desejo e admiração já revelados anteriormente, mas mesmo assim é super prazerosa essa retenção de sua atenção sobre mim. No início, assim que me tornei rainha eu me forçava a contar os passos em minha cabeça para não errar: 1,2,3… 1,2,3… 1,2,3. Mas agora depois de quatro anos eu e Dárius dançamos como se um fossemos um complemento do corpo do outro, é leve, natural e fluido. Não existem mais medos ou hesitações, eu simplesmente vou aonde ele me levar e pelo menos aqui neste salão, eu não tenho preocupações em estar nos braços dele e confiar cegamente em seus passos. São de momentos como este que eu preciso lembrar para seguir em frente ao lado dele e ao mesmo tempo situar-me de que eu não sou uma tola por tê-lo desposado e que ele não é meu inimigo.

    A segunda dança se inicia e os convidados se juntam a nós. É muito bonito ver todos aqueles casais dançando graciosamente enquanto trocam olhares sinceros ou ousados e até mesmo palavras em segredo. Engraçado ver como o simples ato de dançar pode dividir tão claramente os lados: os jovens flertando aproveitam a ocasião para se aproximar, fazer propostas e até mesmo curtir o toque mais próximo que somente a dança os proporciona de forma que a alta sociedade não enxergue isso com maus olhos. Em contraparte vemos os mais velhos aproveitando a oportunidade de fugir de uma situação desconfortável, provocar ciúmes em alguém ou até mesmo iniciar propostas de traições silenciosas. Nesta parte Dárius sempre se mostra enciumado e deixa bem claro a certos cavalheiros do salão que encostar em sua rainha é algo inalcançável para quem ele não julga digno. Mas para não quebrar as tradições eu sempre danço com os homens mais próximos a ele como os duques e viscondes que minha memória insiste em esquecer seus nomes com frequência. E como é o de se esperar, Dárius também só dança com as suas respectivas esposas, que conhecem bem o meu jeito e não ousariam olhar para alguma parte de Dárius que não fosse permitida.

    Ao fim da segunda valsa, eu e o rei nos separamos e vamos conversar com os convidados. Antigamente nós fazíamos da forma tradicional, os anfitriões deveriam aparecer nos lugares sempre juntos, mas Dárius cansou de passar vergonha com as minhas enxurradas de opiniões nas conversas entre os cavalheiros e agora fazemos isso separadamente. Conhecida por muitos como uma rainha que fala tudo o que pensa, as pessoas tomam o dobro de cuidado com o que falam ou fazem na minha presença, o que torna tudo um tanto quanto tedioso. As duquesas e viscondessas da corte vem até mim puxar os mesmos assuntos de sempre:

— Que belo vestido, Vossa Magestade! Realmente digno de Vossa beleza! — Diz a duquesa de Bucareste.

— Muito obrigada!

— Vossa Majestade é sempre tão original! Podemos sempre esperar novidades em suas decorações de baile! Os guardanapos estão dobrados de uma maneira tão sutil e elegante! — Diz a princesa da Bulgária.

— Que bom que gostou! Pode reprisar em seus bailes se assim desejar.

Que diabos alguém viaja da Bulgária até a Romênia para observar a dobradura de um guardanapo de pano? A alta sociedade me entedia de tantas maneiras diferentes que ganhar um soco na cara seria até animador! Manter no rosto o mesmo sorriso falso já está me dando nos nervos! E agradecer elogios vazios sem dúvida nenhuma não é algo que eu vá fazer o restante da noite.

— Bem, vou pedir licença às senhoras e senhoritas. Preciso me retirar. Aproveitem o baile!

Todas se levantam e me reverenciam em despedida. Essa é uma verdadeira vantagem em ser rainha, ninguém contesta nenhuma decisão sua por mais visivelmente indelicada que ela seja.

    Passo pelos corredores do palácio rapidamente, mas acabo observando os diversos casais se beijando às escondidas. Que tolice achar que as pilastras desse castelo vão impedir que os escândalos aconteçam! Bem, não é da minha conta! Decido me por a caminho da cozinha não suporto esses bailes que temos que ficar apenas bicando canapés como passarinhos enquanto tanta comida circula a nossa volta! A essa altura, todos os serviçais estão super ocupados para perceberem que eu desci até o espaço da criadagem. A senhora Thompson quase cai ao me ver chegando:

— Vossa Majestade! O que faz aqui? Algo na comida não lhe agradou?

Eu sacudo a cabeça em negação e lhe dou um sorriso tranquilizante.

— Muito pelo contrário, Senhora Thompson. Tudo o que eu comi estava divino, mas eu não queria mais ficar comendo de pouquinho em pouquinho. Sem falar na companhia daquela gente chata!

Ela tenta, mas não consegue se controlar e acaba rindo.

— Vossa Majestade é mesmo como nós! Quatro anos aqui nesse castelo e ainda continua a mulher de sempre. Isso é único! Não sabe o quanto eu fico feliz em tê-la como minha rainha! Mas bem, já que veio até aqui, eu vou montar um prato farto para que coma bem antes de subir novamente!

Ah! Finalmente!

— Obrigada!

Enquanto eu aguardo ela me servir, me sento à mesa e aproveito para perguntar:

— Senhora Thompson, sei que mora no povoado próximo ao rio. Como estão indo as obras por lá? Eles já concluíram?

Ela me entrega um prato com bastante canapés, mas também tinha alguns pedaços cortados de carne e frango, do jeito que eu gosto! Ela me serve um pouco de vinho e comenta:

— Obras? Não iniciaram ainda. O cobrador de impostos nos avisou que iniciará apenas no próximo mês. Parece que ainda precisavam arrecadar mais fundos e ele até aumentou um pouco o valor dos impostos.

Meu sangue ferve ao ouvir isso!

— Entendi, eu lamento muitíssimo. O rei anda muito ocupado e não me informou sobre esse ocorrido. Eu havia me encarregado pessoalmente em tratar desse assunto, mas ele tomou a frente. Vou falar com ele para que tudo se agilize.

Dou uma golada no vinho pra conseguir descer a minha raiva e indignação garganta abaixo! Ela me olha com gentileza e gratidão dizendo:

— Oh minha rainha, já faz tanto por nós! Não precisa se incomodar com esses assuntos. Creio que o rei irá resolver, essas coisas demoram mesmo.

— Preciso sim, senhora Thompson. Você sabe que todas as questões do povo são do meu interesse. Vou ver isso com o rei. — Engulo rapidamente um dos canapés e continuo — Bem, mudando de assunto, a senhora tem notícias do meu pai? Mais uma vez ele não veio.

Ela abaixa a cabeça e me responde com uma tremenda tristeza:

— Ele está do mesmo jeito. Se recusa a sair de casa,a não ser que seja o trabalho. O rapaz que nos entrega o leite que comentou do seu estado comigo, ele mora próximo a sua antiga casa, Majestade.

O vinho desce rasgando minha garganta com a notícia, da última vez eu achei que meu pai já estava melhorando. Mas eu procuro não passar alarde para a senhora Thompson, ela já tem trabalho demais!

— Irei visitá-lo amanhã. Obrigada pela informação e pelo delicioso prato. Preciso ir, já devem ter dado a minha falta.

— Claro! É sempre uma honra recebê-la em minha cozinha! Sei que gosta de se afastar daquele novo mundo de vez em quando. Saiba que estarei sempre aqui quando precisar, minha rainha!

Apoio a taça sobre a mesa, a agradeço e subo as escadas.

    Disparo feito um furacão à procura do rei! Ele acha que pode continuar me fazendo de tola, mas vou garantir que ele pare de gracinhas e de desviar o dinheiro do povo para os cofres da coroa! Chego a sala de cavalheiros onde sei que ele estaria reunido com os mais nobres senhores da província, abro a porta e causo um senhor alvoroço naquela sala! Todos se levantam para reverência enquanto Dárius gela! Ele sabe perfeitamente que quando eu me ponho na frente dos cavalheiros fora dos momentos combinados é porque eu estou tramando algo. Ele coloca um sorriso disfarçado em seu rosto, caminha em minha direção enquanto diz:

— Minha amada rainha! A que devemos a sua presença? Estamos apenas entre cavalheiros aqui.

Ele segura a minha mão como se fosse me conduzir, mas eu a seguro como apoio para ir adiante.

— Resolvi aproveitar que estão todos reunidos para cumprimentá-los e comunicá-los de um grande projeto do rei! Iremos construir uma nova escola para as crianças do povoado a leste do castelo! Iniciaremos as obras no próximo mês! E amanhã mesmo já terão homens trabalhando para o acerto de toda a área danificada pela guerra às margens do rio.

Estou certa que Dárius fará um escândalo quando estivermos a portas fechadas, mas estou super curiosa para saber como ele irá reagir a isso agora!

— Mas isso é maravilhoso! Todos irão falar sobre esse grande feito do nosso rei! — Diz o visconde de Brasov.

— Nesse período pós-guerra precisamos mesmo pensar na educação de nossas crianças! Afinal de contas, muitas ficaram órfãs. Devo parabenizá-lo por isso, Vossa Majestade!

Adorei ouvir essas palavras saindo da boca de um príncipe! Sei do seu posto, mas não estou me recordando de qual reino ele vem. Dárius incorpora um verdadeiro ator e responde:

— Não há o que agradecer! Eu e a rainha vamos proporcionar a este povo tudo o que puder melhorar a qualidade de vida deles.

Eu pego uma taça que estava disponível na bandeja do garçom próximo a nós e a levanto dizendo:

— Proponho aos cavalheiros então, um brinde ao futuro!

As demais taças se levantam e assim eu acabo de garantir a execução do meu mais novo projeto! Dárius esvazia a sua taça com rapidez e em seguida diz:

— Bem, peço licença aos cavalheiros, mas devo acompanhar a minha rainha.

Todos assentiram e nós nos retiramos.

    Ser puxada pelo braço por Dárius pelos corredores do palácio já era algo de se esperar depois daquilo, mas quando ele me trancou em sua biblioteca e empunhou a sua espada eu realmente fiquei com medo! Mas obviamente não deixei transparecer!

— Trouxe-me aqui para agradecer a minha grande ideia, meu amor? Ou iremos iniciar uma nova guerra em meio aos seus livros de história?

Ele responde:

— Não minha rainha, eu lhe trouxe aqui para lhe perguntar com bastante tranquilidade se você quer que eu arranque a sua cabeça!

Ele espetou a espada com força em cima da mesa, a deixando perfeitamente na vertical ! Claro que eu me assustei num primeiro momento, mas assim que pude, puxei forças de toda a raiva que eu estava sentindo dele e eu mesma a retirei de onde estava sem titubear!

— Todos vão ficar contentes em saber que a rainha teve a cabeça arrancada pelo rei na noite do baile de outono! — eu coloco o punho da espada na sua direção enquanto pouso a lâmina dela em meu pescoço — Vamos! Anda logo com isso! Estou farta das suas promessas sem fundo!

Ele puxa a espada com destreza sem me machucar e grita:

— Você sabe que eu não admito que ninguém encoste na minha espada! Como você consegue ser tão impossível? Além de zerar o cofre da coroa você quer me levar à loucura?

— Não antes de suprir todas as necessidades da Romênia! Aprenda de uma vez por todas que você não consegue me contornar! Eu passo por cima das suas manobras como uma cavalaria no campo de batalha!

Ele bate com a espada sobre a mesa enquanto grita:

— Você nunca vai saber o que é arriscar verdadeiramente a sua vida em um campo de batalha! Eu estive na frente de um exército e perdi meu pai durante uma guerra! Não há ninguém na Romênia que vai me dizer como eu devo governar o meu país! Muito menos uma mulher!

Ele coloca a espada em sua bainha, põe a mão em meu pescoço e grita:

— Eu juro pela alma do meu pai que empunhou essa espada em seu último dia de vida, que a próxima vez que você se meter nos meus assuntos ou chegar próximo da minha espada novamente, eu mesmo vou lhe matar com ela! A sua obra e a sua escola foram as últimas coisas que você conseguiu de mim com o seu joguinho sujo!

Ele me empurra e sai da biblioteca batendo a porta.

A amante da rainha – capítulo 2

    Eu seria uma hipócrita se disse que não gostava de ser tocada, beijada, deseja e completamente tomada por ele. Dárius tem a sedução implantada em seu corpo e negar isso é tolice, ainda mais quando ele está tão determinado a me fazer lembrar de tudo o que já senti por ele. Sentia meu corpo em febre mesmo estando absolutamente nua. Suas mãos percorriam minha pele acendendo ainda mais o meu desejo por ele conforme passavam. Assim que ele me invade uma sensação de dor e prazer me tomam com uma necessidade incontrolável de sentir mais daquilo! Conforme ele se movimenta dentro de mim, ele segura meu rosto fixando os olhos em mim enquanto repete meu nome e diversas juras de amor que quase me fazem esquecer de tudo. Eu não sou capaz de dizer nada, apenas me entrego e me deixo levar pelo momento e pelas sensações que ele me proporciona. Não preciso de esforços para que a sensação de êxtase me tome no momento em que Dárius me põe em seu colo sentada de frente pra ele e me deixa conduzir os movimentos. Fecho os olhos inclinando meu rosto pra trás sentindo a pressão que ele impõe firmando meu corpo junto ao dele e por fim ele derrama seu orgasmo dentro de mim. Me deito na cama e sinto o peso do seu corpo sobre o meu em seguida. Inevitavelmente eu encaro o seu rosto e ele dispara:

— Me diz o que nos impede de sermos esses amantes apaixonados todos os dias?

Apesar de sua tentativa de ser romântico, caio em mim novamente, engulo seco e o respondo com bastante sinceridade e ressentimento:

— A sua deslealdade, a quebra da promessa que fez a mim e ao meu pai, o seu narcisismo e principalmente as mentiras que você conta ao seu povo.

Eu empurro ele fazendo-o cair de lado na cama. Imediatamente me enrolo da colcha e disparo:

— Saia do quarto Dárius! Você já conseguiu o que queria, agora me deixe sozinha!

— Por que você torna tudo tão difícil Amália? Todos sabem que um rei acaba tendo algumas amantes, aquelas mulheres não significam nada para mim! E é impossível cumprir tudo o que você almeja para o povo! Você sabe que eu a amo, mas insiste em rejeitar-me por coisas tão pequenas! Você deveria se preocupar em agradar o seu marido e me dar um herdeiro! E não se meter em política, gestão de impostos e coisas de homem! Você não valoriza a coroa que EU pus em sua cabeça! Qualquer plebeia da Romênia daria tudo para estar em seu lugar! Você é uma tola!

Meu sangue ferve! E nesse momento eu seria capaz de me fazer viúva sem nenhum ressentimento!

— Eu não sou uma plebeia qualquer da Romênia! Você sabe melhor do que ninguém que nenhuma delas se casaria com você pelos motivos que eu casei! Você prometeu ao meu pai que cuidaria de mim e que me respeitaria, mas na primeira vez em que fiquei doente e não pude me deitar com você, já tinha uma qualquer de pernas abertas nos seus aposentos! — Falo gritando — Semanas depois quando nós nos reconciliamos, eu lhe esperava deitada na sua cama e fui surpreendida com você entrando no quarto bêbado com duas prostitutas! Tive que catar as minhas roupas e sair correndo dos seus aposentos enquanto toda a criadagem via a minha humilhação e as minhas lágrimas! Você pode até ser rei Dárius… mas não é homem o suficiente para manter a sua rainha em sua cama!

Seu rosto se enche de raiva! Ele se levanta e ameaça a me dar um tapa, mas quando cai em si interrompe o movimento, respira e abaixa sua mão. Tudo isso sem que eu movimente um músculo sequer, ele sabe que eu não tenho medo dele!

— Sua louca! Como acha que pode falar assim comigo? Em outros tempos você seria decapitada pelo seu atrevimento!

— Eu me atrevi a casar com o rei da Romênia! Esse sim foi o meu maior atrevimento e também o pior erro da minha vida! Mas agora que está feito, você vai aprender a lhe dar com as consequências do que faz como qualquer homem comum! Aqui você não tem uma serva, você tem uma esposa! Não sou suas concubinas baratas que dizem “sim, vossa majestade” para tudo o que você quer, eu sou a sua RAINHA! E o futuro da sua linhagem depende de mim! — Dou um passo à frente, deixando os nossos rostos bem próximos e concluo — Então se eu fosse você, pensaria duas vezes antes de levantar a sua mão para mim novamente! Seu covarde!

Cuspo no chão, ando até a porta do quarto, a abro e grito:

— Anda! Saia do meu quarto!

Os criados que passavam pelo corredor se espantam com a cena, mas é exatamente isso que eu quero! Que ele prove do próprio veneno! Ele veste sua roupa rapidamente, passa pela porta do quarto e me diz:

— Você é a minha maior perdição!

Bato a porta com força e caio no chão aos prantos! Enquanto as lágrimas escorrem, ponho a mão no colar que ainda estava em meu pescoço sentindo a dor da contradição de sentimentos que se emaranhavam dentro de mim. Observo a desordem do meu quarto processando as lembranças recentes que cada imagem me passava. Minhas roupas caídas no chão ao lado de algumas almofadas, ao lado delas os sapatos esquecidos por Dárius e logo acima os lençóis ainda sobre a cama emaranhados entre si. Toda aquela luxúria que estava espalhada pelo quarto foi sucumbida entre os gritos da nossa discussão. Eu não sei como chegamos a esse ponto, mas todas as vezes em que me deito com Dárius, sinto o gosto amargo das traições e das mentiras dele atravessarem a minha garganta como se eu tivesse bebido um copo de veneno! Se minha mãe estivesse viva, eu sei que ela me aconselharia fugir disso tudo! Nunca aceitou que ninguém a enganasse! Mas sei que o compromisso que eu assumi aqui vai muito além do Dárius, existe um povo que sofrerá por qualquer passo em falso que eu der e a eles eu não vou decepcionar!

    Resolvo pedir que Bianca traga um prato de sopa em meus aposentos depois que eu mesma arrumei a bagunça que estava em meu quarto e me vesti da mesma forma que estava antes. Queria seguir como se nada tivesse ocorrido, essa é a maior especialidade da realeza! Desço para a sala em que costumo receber minhas visitas e encontro Marie, a costureira real vestida em um lindo vestido azul marinho que me saltou os olhos! Eu amei! Assim que ela me vê, inclina seu corpo em reverência e me cumprimenta:

— Boa tarde, minha rainha!

— Boa tarde Marie! Seu vestido é lindíssimo! Caiu muito bem em você!

— Muitíssimo obrigada, Majestade! É uma honra ouvir isso vindo da mulher mais linda e elegante de toda Romênia! Hoje eu trouxe uma coleção nova inspirada nas novas tendência para esse outono. Os tons de azul estão com tudo!

A sala estava abarrotada de vestidos propostos a mim por ela. Apesar de sua forte recomendação pelos tons de azul, o que mais me chama atenção é um modelo vermelho, coberto em pedrarias da mesma cor.

— Eu gostei deste! Sei que a moda vai tender para o azul, mas estou certa que muitas no baile estarão trajadas dessa cor. Acredito que é mais a minha cara estar completamente diferente do que esperam de mim né?

Marie me abre um sorriso e diz:

— Sem dúvida nenhuma, Vossa Majestade está certa! Eu imaginei que pudesse querer algo que fosse diferente, por isso também separei este modelo. Tem um belo decote e ele é todo trabalhado em pedras de rubi. É como vestir uma verdadeira joia!

Imediatamente Marie, me ajuda a vesti-lo e me coloca de frente ao espelho me apresentando diversas opções de sapatos e luvas pra compor. Enquanto me olho no espelho eu tento imaginar o que eu estaria fazendo naquele momento se eu não tivesse escolhido essa vida. Cavalgando, cozinhando, vendendo os produtos de meu pai? Ou será que eu já teria me casado com um outro homem?

— Gostou, Majestade?

Recobro os meus pensamentos e encaro o espelho novamente respondendo a Marie:

— Sim, sim! Está ótimo! Pode entregar a minha camareira, não vejo nenhuma necessidade de ajustes.

— Já consegui gravar suas medidas, Majestade. Enquanto não tivermos um herdeiro a caminho, acredito que não precisaremos mais de ajustes. Suas caminhadas, cavalgadas e a sua alimentação a mantém com o mesmo tamanho de corpo. Durante todo esse tempo suas medidas nunca mudaram, é mesmo incrível!

Será que todos os assuntos que giram a minha volta têm que se esbarrar na questão de um herdeiro?

— Eu sinceramente nunca me incomodei muito com isso. Acho que sou só uma mulher de hábitos. Bom que isso acabou facilitando o seu trabalho. Obrigada pelo seu tempo Marie, espero vê-la no baile!

Nos despedimos e logo eu saio da sala.

    Enfim chega o dia do grande baile de outono! Mais uma oportunidade de me relacionar com as pessoas mais metidas e mentirosas da sociedade, que querem ficar me bajulando enquanto falam mal de mim pelas minhas costas. Conto nos dedos as pessoas que eu considero realmente leais a coroa e que apoiaram a decisão de Dárius em se casar com uma plebeia. Bianca me ajuda com as últimas joias e por fim acomoda a minha coroa em minha cabeça. Acho que nunca iriei me acostumar com isso. Ainda sinto como se fosse a primeira vez que a uso. Me dou um sorriso em frente ao espelho e por fim, estou pronta para descer. Vou em direção ao corredor principal do castelo onde Dárius está a minha espera para que façamos a nossa entrada juntos e a primeira dança para a abertura oficial do baile. Ele estava lindo! Seu manto vermelho acima dos ombros combinava perfeitamente como tom do vestido que eu usava. Estou convencida que a minha costureira combina esses casamentos de cores e tons com o alfaiate do rei. A blusa branca debaixo dele quase não era vista. Calças e sapatos pretos o deixavam perfeitamente elegante, mas a coroa dourada em sua cabeça mostrava a todos que ali estava o vosso rei. Nossos olhares se encontram naquele corredor e fico feliz em ver a forma que ele olha pra mim, visivelmente deslumbrado.

— Eu posso estar errado em muitas coisas nessa vida, mas em uma delas eu sei que estou certo: A povo da Romênia sabe que tem a mais bela rainha de todos os tempos!

Ele se inclina para que demos os braços e prossigamos conforme o esperado. Lhe estico a minha mão e deixando escapar um leve sorriso eu respondo:

— Talvez eles possam pensar o mesmo sobre o seu rei…

A amante da rainha – Capítulo 1

Amanheceu e mais uma vez sou acordada pela luz que entra no meu quarto quando a minha camareira abre as cortinas.

— Bom dia, Vossa Majestade!

Eu e o meu mau humor não queremos nem abrir os olhos! Mas… a Romênia não será governada sozinha! Ou pior… não pode ficar nas mãos de Dárius! Talvez essa seja a minha maior motivação para eu levantar todos os dias: manter a Romênia salva das garras de Dárius!

— Bom dia Bianca! Traga-me hoje joias mais leves e roupas que não me apertem tanto. Estou com algumas dores nas costas e quanto menos as coisas me incomodarem hoje, melhor.

Bianca acaba de amarrar os nós que seguram as cortinas e responde:

— Pode deixar. Vou buscar suas roupas enquanto faz a sua higiene matinal. Ela deixa o quarto e eu me levanto para começar o dia.

Depois de estar arrumada, deixo o meu quarto nas mãos das arrumadeiras e desço as majestosas escadas forradas pelo gigante tapete vermelho que me levam até o salão principal. Me encaminho para a mesa em que eu e o rei fazemos nossas refeições. O termo “banquete” não é um exagero quando se trata das refeições aqui no palácio real. Inúmeras frutas, geleia, pães, bolos, jarras de suco, louças e talheres compunham a mesa gigantesca que obviamente não ficará vazia nem se a metade da criadagem se sentar para comer conosco. Assim que chego, Dárius está sentado à minha espera. Sua postura majestosa que já lhe é natural sempre me impacta a cada vez que o vejo. Suas roupas sempre lhe caem bem, ainda mais quando são de tons escuros, contrastam com o tom da pele e com o brilho dos seus pares de anéis e colares de ouro. Ele nunca começa a comer antes de mim, confesso que esse excesso de cavalheirismo dele, me dá nos nervos! Mas acaba por ser uma prática que estou me acostumando, por mais que nós dois sejamos como dois lobos alfas na mesma matilha!

— Bom dia, minha rainha!

Ele se levanta e segura minha mão deixando um beijo nela.

— Bom dia! Acordou tão gentil meu amor! Caiu da cama? Ele passa a mão em meu rosto dizendo:

— O que você tem de linda, tem de cínica, Vossa Majestade! Bem, vamos nos sentar para o desjejum e se possível deixe o seu cinismo fora da mesa por hoje, minha amada rainha!

Me direciono para a minha cadeira enquanto eu digo:

— É só você não convidá-lo para nos acompanhar como sempre faz, meu bem!

Dadas as primeiras alfinetadas do dia, nosso apetite já está aberto para iniciarmos a tentativa já fracassada de terminar com aquele banquete exagerado.

— Hoje meus compromissos serão todos no palácio, você também ficará por aqui?

Espeto um pedaço do bolo e respondo:

— Sim eu ficarei. Te acompanharei na reunião com o cobrador de impostos e também tenho que receber a visita da costureira, visto que o baile de outono se aproxima.

Dárius mastiga uma uva como se estivesse se vingando de alguém.

— Não preciso que me acompanhe. Está tudo sob controle!

Aham… sei!

— Mas eu insisto! Temos aquela obra não concluída no povoado próximo ao rio, eu quero garantir que o dinheiro pago pelo povo cumpra o seu propósito e resolva logo de uma vez esse problema!

Dárius vira seu copo de suco de uma vez e dispara:

— Já disse que não precisa! Arrume algo pra fazer e pare de se meter em assuntos que não são da sua competência! A obra se concluirá no prazo previsto, eu lhe garanto!

Calmamente eu espalho um pouco de geleia de morango em uma torrada sem sequer olhar na direção dele. Mordo a torrada com a delicadeza que se espera de uma rainha e agora sim olho para Dárius.

— A Romênia é o único assunto da minha competência, meu rei! Acha que eu devo me contentar com as promessas de vossa magestade? Pensando bem, seria melhor eu ir até a sua adega verificar se temos vinho o bastante para que você possa aguentar o peso da sua coroa, ou então ver se já poliram a prataria? Eu estarei na reunião e isso não é negociável!

Ele se levanta da mesa, joga o guardanapo nela e vem em minha direção.

— Quando é que vamos ter um café da manhã normal nesse palácio? Sem que eu queira calar-lhe, arrastando-a para os meus aposentos?

Prontinho… ele vai falar do herdeiro!

— Parece que quem não quer a minha companhia aqui é você! Pelo menos não na sua reunião!

Ele se inclina, segura o meu pescoço e aproxima seu rosto do meu… quase num beijo.

— Vossa Majestade sabe o quanto eu quero a sua companhia em minha cama! Já passou da hora desse reino ter um herdeiro!

Prontinho!

— No dia em que você parar de depositar herdeiros ilegítimos em suas amantes… quem sabe conseguiremos cumprir esse protocolo chato e cansativo! Me levanto bruscamente jogando o guardanapo nas mãos dele e me retiro.

Depois de incansáveis batidas na porta do meu quarto, Dárius desiste de uma possível reconciliação e me deixa em paz. Pensar que talvez eu nunca possa dar um herdeiro legítimo para a Romênia me deixa mal, mas o lado bom disso é que sem sombra de dúvida uma junção da força de Dárius com o meu temperamento resultaria em um rei no mínimo perigoso! Deixo esses pensamentos de lado, esfrego o rosto e resolvo trocar de roupa para ver Argus. Depois de me sentir sufocada por Dárius, preciso me sentir livre e só Argus faz com que eu me sinta eu mesma.

Chego no estábulo e lá está ele. Argus e eu temos uma conexão muito forte! Parece que ele tem a capacidade de sentir as minhas emoções. Enquanto o acaricio e me preparo para montar nele, me lembro de quando minha falecida mãe me deu ele dizendo: “Um cavalo sempre será o único meio de uma mulher se sentir livre!” Não tinha ideia do quão certa ela poderia estar. Depois que me casei com Dárius, montar a cavalo e sair disparada em direção às montanhas é o único momento em que eu sinto que tenho as rédeas da minha direção. Tolo quem pensa que uma rainha pode controlar tudo… eu queria muito que isso fosse possível. Monto no Argus e basta bater com as pernas nele para que ele trote morro acima. Aquele tapete verde que cobre as montanhas romenas será sempre a minha visão favorita! Sinto o vento contra o meu rosto me fazendo finalmente respirar ar puro! Dá vontade de sumir pra bem longe! Pelo menos para um lugar onde Dárius não estivesse lá pra me enlouquecer!

Ao retornar da cavalgada, deixo Argus no estábulo e me direciono para o palácio onde Herbes estava à minha espera.

— Bom dia Vossa Magestade! O rei pediu para lhe avisar que a reunião com o cobrador de impostos foi adiada. Bato com minhas botas sujas de lama na entrada do palácio e digo:

— É claro que ele pediu! Arranco minhas botas e subo as escadarias com elas nas mãos, enquanto me direciono para a sala de reuniões.

Herbes corre tentando acompanhar o meu ritmo e me impedir de executar o que ele sabia que eu já estava decidida a fazer. Abro as portas da sala de reuniões e lá estavam eles: Dárius e Júlio, o cobrador! Os olhos de Dárius estavam em chamas e ele mandaria Herbes para a forca se ele não me conhecesse bem. Júlio se inclina em reverência assim que me vê, enquanto eu entro na sala caminhando majestosamente e apoio minhas botas no chão assim que me ponho na frente da cadeira e digo:

— Bom dia Júlio! Desculpe, mas não pude evitar o meu atraso, meu cavalo Argus havia se machucado e eu fui vê-lo. O rei já havia me informado da sua chegada e fico feliz por ainda encontrá-lo aqui. Pode me atualizar dos assuntos da reunião, por favor?

Dárius ameaça interferir, mas eu me aproximo dele e estalo um beijo rápido em sua boca como se fosse um cumprimento trivial nosso. Posso sentir a raiva na sua respiração! Então Júlio abre o livro de contas com os valores e começa a me passar as informações.

— Bem, lamento muito, mas creio que o rei deve ter esquecido de mencionar a urgência da conclusão da obra do povoado próximo ao rio. A última vez que eu fui lá a situação estava em um estado deplorável! Pode cancelar a encomenda desse novo armamento e colocar para o próximo mês de arrecadação. Já era algo combinado previamente entre mim e o rei. Não é meu amor?

Olho pra ele com um rosto doce, derramando sobre ele todo o meu veneno conhecido por nós dois.

— Claro minha rainha! Desculpe Júlio, eu realmente havia esquecido.

Júlio imediatamente exclama:

— Deus salve a nossa rainha! Os moradores do povoado certamente ficarão felizes em saber da vossa sábia decisão. Obrigado!

Pego as minhas botas no chão e digo:

— Não há o que agradecer, apenas faço o possível pelas pessoas do nosso reino e ajudo o meu marido com as suas questões. O rei anda muito ocupado com as questões pós-guerra e diplomáticas, por tanto é minha obrigação lembrar-lhe dos seus compromissos com o nosso povo.

Me aproximo de Dárius, lhe dou outro beijo e concluo:

—Até mais meu amor! Tenha um bom dia Júlio!

Deixo a sala e logo Herbes fecha a porta atrás de nós.

— Vossa Majestade é sempre muito astuta!

Sem olhar pra trás eu lhe respondo:

— Lembre-se disso na próxima vez que o rei tentar subestimar a minha inteligência!

Entro nos meus aposentos sentindo a maravilhosa sensação de mais uma vitória em cima das artimanhas do Dárius e também as pontadas dolorosas na minha coluna. Peço que Bianca prepare uma banheira quente para que eu possa aliviar as dores e também me preparar para a visita da costureira real.

— Majestade, sua banheira está pronta.

Bianca chega e me ajuda a desamarrar o meu espartilho, um dos meus piores vilões!

— Obrigada Bianca, sinto que a sensação de abrir este espartilho é melhor do que a de ser coroada!

Entro naquela banheira e finalmente as dores aliviam um pouco.

Assim que Bianca termina com meu penteado, eu me encaro no espelho gostando muito de como estou e olho em especial para uma coisa: tenho em meu pescoço um colar de ouro que tem uma pedra de rubi como pingente, Dárius me deu no dia em que conheceu o meu pai. Quando eu fecho os olhos consigo me lembrar de como estávamos apaixonados naquela época. Acho que ele viraria a Romênia de cabeça pra baixo pra me ter ao seu lado e naquela época foi exatamente o que ele se propôs a fazer… Bianca interrompe meus pensamentos me perguntando:

— Precisa de mais alguma coisa, Majestade?

— Não, obrigada! Descerei para o almoço no horário habitual.

Ela deixa meu quarto e antes que eu pudesse impedir, Dárius aproveita a abertura da porta e entra no meu quarto exigindo que fiquemos a sós. Encaro ele olhando-o através do espelho enquanto continuo sentada de frente para a minha penteadeira. Ele para por alguns instantes sem dizer nada e apenas me observa. Por mais que eu não demonstre, eu me sinto um pouco frágil quando ele claramente me admira desse jeito. Mexe com algo aqui dentro que eu não sei explicar. Ele encontra os meus olhos no espelho da penteadeira e começa a se aproximar devagar enquanto fala:

— Todas as vezes que eu te vejo com esse colar eu sinto como se o tempo estivesse parado. Não tinha nada no mundo que eu não fizesse para tê-la como minha rainha! Minha Amália…

Ele pousa suas mãos nos meus ombros enquanto nossos olhos ainda se encontram no reflexo do espelho. Ele sente a fragrância do meu perfume em meu pescoço e deposita um beijo nele me fazendo fechar os olhos com o arrepio que isso me causa. Na sequência ele fala baixinho em meu ouvido:

— Podemos nos esquecer de tudo e só por alguns instantes dar vida aqueles jovens completamente apaixonados de novo?

Eu não sei como ele tem o poder de fazer isso comigo… mas eu deixo o nosso presente de lado e mergulho de cabeça nos desejos daquela menina simples, filha de ciganos que cometeu o erro mais comum que uma plebéia deveria nascer sabendo que não pode fazer: o de se apaixonar de verdade por alguém da realeza! Colamos nossos lábios num beijo ardente nos rendendo aos desejos daquele casal que tanto amávamos ser…

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